
Protocolos Clínicos
Diretrizes e protocolos do ASIPT para atendimento integral à população trans, baseados no Documento Norteador.
Modelo RESOAP Adaptado
Estrutura adaptável para condução do atendimento, visando atender as demandas da população trans de maneira ética, respeitosa e com embasamento técnico-científico.
Reconhecimento
Posicionamento Ético-Político
Posicionamento anterior ao registro clínico. Reconhecimento da pessoa como sujeito de direitos, como autoridade epistêmica sobre sua própria vida, cuja dignidade é anterior a qualquer protocolo.
Identidade e Autodeterminação
Nome social, pronomes e identidade de gênero conforme autodefinida pela pessoa. Reconhecimento do direito à autodeterminação corporal e à soberania sobre o próprio corpo.
Autoridade Epistêmica
A pessoa é reconhecida como conhecedora legítima de sua própria vida e existência, combatendo a tutela médica e a injustiça testemunhal.
Escuta
Escuta Culturalmente Letrada
Escuta inclusiva e culturalmente letrada, na validação das narrativas e na descolonização dos saberes hegemônicos que historicamente patologizaram identidades trans.
Acolhimento da Narrativa
Criar espaço para que a pessoa conte sua história de vida, de gênero, de corpo — suas demandas, desejos e medos. O profissional escuta, valida e reconhece a complexidade e singularidade dessa narrativa.
Justiça Epistêmica
Validar a autoridade da pessoa sobre sua própria história, suspendendo o juízo clínico-patológico. O uso do nome social e pronomes corretos desde o primeiro instante é precondição material para que a narrativa possa emergir.
Subjetividade e Narrativa
Narrativa do Sujeito
O campo "Subjetivo" é expandido para o espaço da Narrativa do Sujeito. O objetivo não é coleta de "queixas" ou "sintomas", mas acolhimento da história de vida (Lebenswelt), do percurso de descoberta e afirmação da identidade, das expectativas, medos, desejos e projetos de futuro.
Narrativa de Identidade e Corpo
Como a pessoa compreende sua identidade de gênero? Qual é sua história de corpo? Quais suas demandas, desejos e experiências de violência, discriminação e invisibilização?
Ponto de Partida Inegociável
A narrativa da pessoa sobre sua própria vida, corpo e demandas é tomada como verdade até prova em contrário — não como percepção a ser validada pela expertise médica. É eixo condutor inegociável de todo o processo.
Contexto de Vida e Determinantes Sociais
Determinantes Sociais
O "Objetivo" é descolonizado de sua pretensa neutralidade. Investiga os determinantes sociais: situação habitacional, econômica, rede de apoio, violência e segurança, acesso a direitos e localização geográfica.
Exame Físico Situado e Consentido
O exame físico deixa de ser ritual obrigatório e passa a ser ato clínico justificado, realizado apenas se relevante para a demanda, com consentimento explícito para cada etapa. O corpo não é objeto a ser inspecionado, mas território a ser explorado com permissão.
Condições Materiais de Existência
Trabalho, habitação, renda, violência, acesso a direitos, rede de apoio — tudo isso é "objetivo" no sentido de que é real, concreto e material, e estrutura fundamentalmente a saúde e o bem-estar da pessoa.
Avaliação Compartilhada
Compreensão Compartilhada
A "Avaliação" é transformada em momento de compreensão compartilhada — síntese co-construída com a pessoa, um esforço para "fundir horizontes" (Gadamer). Não é conclusão unilateral do profissional.
Diagnóstico de Necessidades
O resultado não é "diagnóstico" de patologia, mas Diagnóstico de Necessidades abrangendo dimensões física, mental, social e de direitos. Inclui identificação de recursos, barreiras e priorização.
Fusão de Horizontes
Ambos — profissional e pessoa — trazem saberes legítimos. A avaliação é construída conjuntamente, reconhecendo que parte do sofrimento relaciona-se a determinantes sociais que o cuidado isoladamente não resolve.
Plano Singular e Pactuado
Projeto Terapêutico Singular
O "Plano" se torna Plano de Cuidados Singular e Pactuado. A singularidade reside no fato de que é desenhado para aquela pessoa específica, em seu contexto único. Não é prescrição, mas projeto comum.
Contrato Terapêutico
Resultado de negociação que distribui responsabilidades entre profissional, pessoa e equipe. Inclui objetivos, ações específicas, cronograma, formas de comunicação e critérios de reavaliação.
Soberania Corporal
O plano respeita a soberania corporal da pessoa, reconhecendo que ela é autoridade final sobre seu próprio corpo. A pactuação reafirma a aliança terapêutica e o protagonismo da pessoa em sua jornada.
Protocolos de Hormonização
Sugestões para início e acompanhamento da hormonização, baseadas nas preparações hormonais fornecidas pelo SUS no município de São Paulo.
Abordagem Individualizada
Acreditamos na individualização da abordagem no acompanhamento de pessoas trans. O desejo de hormonização e mudanças corporais é singular a cada pessoa, e os parâmetros de referência precisam ser ressignificados com base na realidade e nas demandas da população trans. A hormonização não é obrigatória nem prerrequisito — as intervenções corporais emergem como demandas legítimas quando desejadas.
Conheça o Projeto LODI-TTestoGraph — gráficos de testosterona sérica por formulaçãoInfográficos de Hormonização — ASIPT
Autor: Tiago José de Oliveira Gomes
Undecilato de Testosterona
Valores de referência: Testosterona total 350-1100 ng/dL
Primeira Consulta
Esclarecimentos sobre a hormonização, expectativas e conhecimento prévio. Exames iniciais: Hemograma, AST, ALT, creatinina, colesterol total e frações, hemoglobina, testosterona total, estradiol e TSH.
Retorno com Exames
Análise dos exames para estabelecer linha basal. Prescrição: Undecilato de testosterona 250mg/mL, intervalo de 45 dias nas duas primeiras aplicações.
Dose de Ataque
Segunda aplicação para acelerar o alcance em níveis fisiológicos e estáveis.
Exames no Pico Sérico
Dosagem de testosterona total 15 dias após a segunda aplicação. Valores de referência: 350-1100 ng/dL.
Exames Após Meia-Vida
Avaliação 60 dias após para identificar o melhor intervalo de manutenção. O intervalo ideal pode variar de 60 a 120 dias.
Valerato de Estradiol
Valores de referência: Estradiol 100-200 pg/mL | Testosterona <50 ng/dL
Primeira Consulta
Esclarecimentos e desconstrução de concepções distorcidas sobre riscos. Exames: Hemograma, AST, ALT, creatinina, colesterol, testosterona total, estradiol, potássio, prolactina e TSH.
Retorno com Exames
Análise dos exames para estabelecer linha basal. Prescrição: Valerato de Estradiol 2mg sublingual, duas vezes ao dia.
Retorno com Exames
Colher exames: estradiol, testosterona total, TSH, AST, ALT, Prolactina ou Potássio. Avaliar satisfação e sensações físicas/psíquicas.
Acompanhamento Contínuo
Níveis séricos ideais de Estradiol: 100-200 pg/mL. Ajuste de dose conforme resposta individual e satisfação.
Bloqueio Androgênico (quando há demanda)
Acetato de Ciproterona
12,5-25mg/dia. Inibe secreção de LH e ocupa receptores periféricos de testosterona. Doses baixas recomendadas devido associação com meningiomas.
Espironolactona
100-300mg/dia. Alternativa mais segura, acessível e com menos efeitos colaterais. Age pelo antagonismo de receptores periféricos.
Sangria Terapêutica / Flebotomia
Orientações e fluxo para pacientes que necessitarem de sangria terapêutica ou flebotomia terapêutica.
Fluxo de Agendamento
Agendamento por telefone
Ligar para (11) 3532-9679 ou (11) 5178-1614 das 08h às 13h.
Local
Banco de Sangue do Hospital Municipal do Tatuapé — Dr. Cármino Caricchio. Av. Celso Garcia, 4815 — Parque São Jorge, São Paulo/SP, CEP 03063-000 (entrada pelo PS — Rua Santo Elias). Próximo ao metrô Carrão.
Dias e horários
Terças e quintas-feiras, das 08h às 11h.
Documentos necessários
Encaminhamento médico, CNS, documento pessoal com foto e exames anteriores.


